sexta, 6 de novembro de 2015, 17:50:44

Intolerância a lactose

A intolerância à lactose é um distúrbio bastante comum e afeta pessoas de todas as faixas etárias caracteriza-se pela inabilidade do organismo em digerir a lactose, açúcar presente naturalmente em diversos tipos de leite Para que seja digerida, a lactose precisa sofrer a ação de enzimas no intestino delgado (especialmente uma denominada lactase), que são responsáveis por quebrá-la em produtos menores, os quais o organismo é capaz de absorver e aproveitar adequadamente. Quando ingerida através do leite e de seus derivados, a lactose é quebrada no organismo em dois outros açúcares: a glicose e a galactose. A má-digestão da lactose se dá essencialmente por uma deficiência desta enzima provocando uma quebra incompleta da lactose, que, então, permanece no intestino delgado sem ser absorvida e passa para o intestino grosso. As bactérias intestinais fermentam a lactose não digerida, gerando ácido láctico e outros ácidos orgânicos, dióxido de carbono e gás hidrogênio. Como resultado da formação desses ácidos e gases, o indivíduo apresenta sintomas como: cólicas abdominais, flatulência, ruídos intestinais e diarreia ou constipação. Cerca de 70% da população mundial apresenta deficiência da enzima lactase (condição chamada hipolactasia), mas nem todos são intolerantes à lactose, pois, para tanto, deve haver influência também de fatores genéticos e nutricionais. Isso porque, após o início da infância, há, via de regra, uma diminuição dos níveis da enzima. Existem duas formas de deficiência de lactase; uma, muito rara, a deficiência congênita da enzima, desde o nascimento, e outra, que seria a deficiência adquirida, ou seja, secundária a infecções no intestino delgado, inflamações intestinais, AIDS ou desnutrição. Neste último caso, a deficiência é geralmente temporária.


DIAGNÓSTICO

A deficiência de lactase é diagnosticada:
- A partir da história dos sintomas gastrointestinais que ocorrem após ingestão de leite;
- A partir de um teste de níveis de hidrogênio anormais na respiração;
- Um teste de tolerância anormal;
- Uma biópsia da mucosa intestinal.


TESTE DE TOLERÂNCIA À LACTOSE

É um teste utilizado para diagnosticar o problema. Ele é baseado em uma dose oral de lactose (50g) equivalente à quantidade existente em 1 litro de leite. Durante o teste, no indivíduo com intolerância à lactose, a glicose sangüínea sofre um aumento menor que 25mg/100ml de soro acima do nível obtido no jejum. Além disso, sintomas gastrointestinais podem ocorrer e há também um aumento da produção intestinal de hidrogênio (medido através do teste de hidrogênio na respiração)


CUIDADOS NUTRICIONAIS

Alimentos não Permitidos
Todos os leites in natura ou em pó de qualquer espécie e todos os produtos contendo leite (exceto o leite sem lactose), tais como sorvete, iogurte, leite condensado, queijo, leite maltado, ovomaltine, alguns cafés instantâneos e bebidas de cacau, manteiga, requeijão, etc;Sobremesas preparadas com leite; bolos, biscoitos e misturas comerciais; maioneses com lactose, creme de leite, margarinas e molhos contendo leite; embutidos contendo sólidos de leite, sopas comerciais contendo lactose; chocolate, goma de mascar; Na coagulação do leite, dependendo dos métodos usados, existem duas classes de soros: os doces e os ácidos. Queijos do tipo ricota e cottage são provenientes do soro ácido onde no caso da fabricação de queijo Cottage e ricota, uma quantidade significativa da lactose do leite é convertida em ácido lático antes que o soro seja separado da massa. À medida que aumenta a acidez, uma quantidade crescente dos sais de cálcio, no leite, se dissociam, o que provoca a solubilização do cálcio, produzindo soro com teor de lactose mais baixo, teor de cálcio mais alto e perfil de minerais diferente do soro doce, donde provém os queijos tipo Cheddar, Suíço, Mozarela e outros similares. Este tipo de soro contém menos ácido lático percentual de lactose mais elevado e menor teor de cálcio em comparação ao soro ácido. O leite e outros produtos lácteos não-fermentados, que são as fontes naturais da lactose, devem ser evitadas. Os produtos fermentados de origem láctea, por outro lado, são bem tolerados porque as bactérias abundantes de ácido láctico presentes nestes produtos digerem a lactose. Entretanto, em crianças recomenda-se a exclusão total de alimentos que a contenham. Observando todos os alimentos não permitidos, fica claro a importância da leitura dos rótulos dos produtos comerciais, pois muitas vezes, um produto pode parecer inofensivo para o intolerante a lactose por não ser derivado do leite, mas pode conter em sua composição a lactose. É o caso, por exemplo, de certos antibióticos, vitaminas e preparações de sais minerais, que contém em sua composição lactose.


ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

A maioria dos adultos com intolerância à lactose pode consumir pequenas quantidades de lactose sem apresentar os sintomas, sendo que ela é melhor tolerada quando ingerida como parte de uma refeição do que separadamente.