sexta, 30 de setembro de 2016, 10:35:35

Precisamos falar sobre suicídio

O número de casos envolvendo tentativas e suicídios consumos tem aumentado a cada ano e tem se tornado uma triste realidade. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde 24 mortes por suicídio são confirmadas no Brasil por dia e cerca de 3 mil no mundo todo, além das  60 mil tentativas sem sucesso. Isto faz com que o problema tenha se tornado uma questão de saúde pública.

Mas afinal, o que leva uma pessoa a tirar sua própria vida? Estudos mostram que cerca de  90 % dos casos de suicídio estão ligados a uma doença mental diagnosticável, como por exemplo a depressão e uso de drogas, o que significa que o problema tem solução a partir do momento do início do tratamento.

Em quase 100 % dos casos de tentativas de suicídio encontramos na fala das pessoas que relacionam a tentativa de morte como forma de busca por alívio de um sofrimento, em que por alguma razão viver está tão difícil ou gerando tanta dor, que pensar em morrer se torna uma busca por alívio.

Infelizmente nesse momento costumamos nos deparar com julgamentos que não ajudam em nada a pessoa em sofrimento, discursos como “ isso é coisa de gente fraca “, “ isso é falta de amor a vida “ e etc não ajudam em nada, pelo contrário tendem a desestimular ainda mais.

Outro erro bastante comum é negligenciar o discurso suicida. Uma frase completamente equivocada mas muito repetitiva nestes momentos é “ Quem quer se matar se mata, não fica falando por aí ... “, precisamos ver qualquer fala de conteúdo suicida como forma de busca por ajuda, livre de julgamentos, afinal estamos falando de uma vida, você pode concordar comigo que se alguém llhe disser que precisa de sua ajuda por  estar infartando ou qualquer outra condição que coloque a vida em risco, dificilmente irá lhe dizer simplesmente para “ pensar positivo “ ou mesmo dizer que se trata de uma simples “ frescura”.

Assim fica claro que punir, fazer julgamentos, prestar atitudes moralistas e expressar as emoções usando rótulos pejorativos como, “louco” e “ cabeça fraca “ não ajudam e tão pouco estimulam a pessoa a continuar a viver.

Atualmente sabe-se que o principal fator de risco para uma tentativa de morte é a história de uma tentativa anterior sem sucesso e que em média 5 % da população tenha planejamento de, sendo assim a melhor forma de ajudar diante desde risco é não duvidar e não subestimar as emoções, demonstrando apoio e disposição a brigar em conjunto pela vida, além de fundamentalmente tratar as questões que lhe levaram aos pensamentos e comportamentos autodestrutivos e é aí que entra o trabalho do médico psiquiatra e outros profissionais de saúde mental.

“ Não há por que temer conversar sobre pensamentos de morte com o paciente, isto não o fará iniciar o pensamento suicida ou incentivará a cometer o ato, pelo contrário, o ajudará a aliviar uma dor interna e lhe dará a oportunidade de salvar-se. Salvar um suicida é tão importante quanto salvar um infartado ou um acidentado, não nos cabe julgar, afinal somos médicos do corpo e da alma.... “


Dr. Thiago Vinicius Feliciano Moreira

Psiquiatra

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